Consequências na família do défice cognitivo

Consequências negativas
     Após planos delineados, desejos projectados, sonhos e ânsia de toda a espera para terem o filho perfeito, bonito e desejado nos seus braços, receber a notícia que este tem défice cognitivo é como “a morte de um filho idealizado”, é o desmoronar de todo um sonho, dum projecto a dois. E como tal, esse acontecimento cria diversos problemas conjugais.

 

Picture
     Após a comunicação por parte do médico do diagnostico do bebé, os pais sentem-se revoltados, angustiados e com medo do futuro. A esta fase segue-se a fase da zanga (processo de luto para com a realidade) que consiste no “desafio à natureza”, pois a mãe acredita que tal como Deus salvou o Homem com o seu sacrifício, esta conseguirá modificar o destino do seu filho, sacrificando-se também. É neste período de instabilidade, revolta, angustia que ocorre a rotura conjugal.
     Os pais pensam que a criança só se salvará fazendo todo o tipo de terapias, tratamentos, tudo o que seja possível. Sendo a mãe normalmente, o elemento mais disponível para acompanhar todo esse processo, evidenciando-se esta forma o quão a relação entre mãe-filho é simbólica, sentindo-se o pai excluído, pois este na maioria das vezes é quem assume os encargos financeiros nessa altura, não podendo por isso, estar muito presente no acompanhamento ao seu filho. Tornando-se a relação do casal cada vez mais frágil, assumindo uma vulnerabilidade extrema.

 

Picture
     Uma palavra mal medida, um gesto, uma insinuação acerca da gravidez por parte do marido, aumenta a culpa sentida pela mulher, a qual só por si não é nada fácil de gerir. Assim a mulher sente-se abandonada pelo marido, visto que este se encontra ausente a trabalhar, que não a acompanha as consultas e tratamentos. Sendo estas atitudes interpretadas pela mãe como um comportamento de rejeição da criança por parte do marido, sentindo-se como incapaz de gerar um filho saudável. Tal situação, o sentimento de abandono e de medo, perturbam a relação afectiva e amorosa do casal, levando a um afastamento entre ambos levando ao divórcio.

Picture
     De seguida a relação com o médico muda sendo considerado com um apoio e como um pai ideal para a criança visto que percebe e compreende a realidade vivida pela mãe e pela criança.

     Como é visível um filho com défice cognitivo, infelizmente, pode “acabar” com muitas famílias, quando estas não entendem que apesar de todas as diferenças, de todos os obstáculos, ter uma criança diferente é uma experiência maravilhosa, rica e apaixonante, pois estas são crianças tão ou mais carinhosas, sonhadoras, lutadoras, vencedoras como as outras as “dita normais”, tendo por isso, também o direito de SEREM AMADAS E FELIZES. Quando a mudança de planos é mais forte que a culpa sentida pelos progenitores por terem sido capazes de gerar um “filho normal”, vez de prevalecer a união do casal, o amor!

O homem é um ser social inato, necessitando, portanto, para sobreviver física e emocionalmente, estar integrado e participar na vida comunitária de uma sociedade. É a partir da socialização, a convivência com os outros que o Homem se constrói, que desenvolve a sua maneira de ser, de encarar o mundo. É portanto na família, o primeiro grupo social ao qual o ser humano pertence, que o homem se forma e determina o seu desenvolvimento cognitivo-afectivo, pois é nesta que este estabelece a socialização primária e como todos sabem esta é essencial e determinante para o seu desenvolvimento.

Posto isto, vamos agora expor, de forma sucinta, as principais ideias de 2 especialistas nesta área, Rui Glat e Nuno Lobo Antunes, acerca da entrada de uma pessoa com défice cognitivo numa família.

Ambos partilham ideias similares mas divergem em relação a alguns pontos.

Então quando nasce uma criança com défice cognitivo numa a família, com padrões estéticos e intelectuais diferentes dos normais, previamente estabelecidos pela sociedade, a estrutura do funcionamento básico familiar rompe-se, os sentimentos e as representações anteriores deterioram-se, e instala -se uma crise de identidade grupal, que nem sempre é facilmente superada. Por mais harmoniosa que seja uma família essa crise é inevitável, pois todas as expectativas, planos e sonhos gerados durante a gestação desse filho são destruídos face a essa inesperada e desconcertante realidade, sendo necessário reajustar todos os projectos, todas as expectativas à nova realidade. Tal como ambos os especialistas afirmam através destas frases.

Após a comunicação da notícia, a família procura salvar a todo o custo o seu filho através de todas e quaisquer terapias, que posteriormente culmina com sentimento s de revolta, luto, raiva.

É agora este ponto que se verifica a divergência nestas teorias, pois Rui Glat defende que mais tarde ou mais cedo que as famílias acabam por aceitar esta realidade e tentam adaptar-se, unindo esforços, e procurar alternativas para sua reestruturação interna, aceitando assim o seu filho e recuperando a união familiar. Mas é importante relembrar que Rui Glat defende esta perspectiva positiva, pois, concedera a intervenção muito importante de profissionais para apoiar os pais em tudo este processo de readaptação, devendo este apoio ser imediato.

Para Nuno Lobo Antunes a maioria das famílias desagregam-se, após noticiado que o seu filho é deficiente, pois a mãe procura a todo o custo terapias para salvar o seu filho, pois normalmente a mãe é o elemento mais disponível para acompanhar todo o processo, pois é o pai que assume os encargos financeiros normalmente, sentindo portanto este excluído.

A ausência do pai é encarada pela mãe como rejeição do filho e consequentemente existe um afastamento dos progenitores, levando ao divórcio.

Rui Glat ainda aponta 2 aspectos importantes: Adaptações necessárias à aceitação de um filho especial pelas suas famílias passam pelas dimensões afectiva e cultural e que a relação família – instituições educacionais devem ser construídas de uma forma clara e com base nas expectativas de ambos .